Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007

Pessoas tóxicas

 

 

 

Com pessoas tóxicas cruzamo-nos dia a dia, em casa, no local de trabalho, no café, no msn, enfim elas estão em todo o lado… Vou tentar escrever de uma forma subtil, não quero de forma alguma ferir susceptibilidades de ninguém… mas se alguém identificar-se como pessoa tóxica, prepare-se!!! Caso contrário vai ficar a falar com as paredes …

 

Nove horas da manhã, levantei-me num ápice e dirigi-me para o duche, estava a entrar no banheiro quando o telemóvel tocou. Voltei ao quarto e atendi. Ups… era a Margarida e eu sem tempo para falar, já estava atrasada… mas não tendo coragem de deixar o aparelho a tocar, resolvi atender. Margarida estava desesperada porque ia ao médico mostrar a mamografia, falou … falou e eu nem consegui dar-lhe uma palavra de conforto… tentei dizer-lhe que lhe ligava mais tarde para saber o que o médico lhe tinha dito, mas fiquei impossibilitada de o fazer, porque logo outro consulta surgiu, a de estomatologia! Olhei para as horas e fiquei aflita. - Meu Deus! São quase 10 horas e nem o banho tomei! - pensei eu. Finalmente lá consegui dizer-lhe que tinha que me despachar e que na hora do almoço telefonar-lhe-ia para saber noticias, principalmente a consulta de mamografia.

 

Escusado dizer que em 10 minutos despachei-me e desatei a correr para apanhar o transporte público. Caramba, fiquei preocupada com a Margarida, é a mulher das doenças, já não sei se hei-de acreditar na seriedade das doenças dela…

Finalmente cheguei ao meu local de trabalho…sentei-me, liguei o PC e atendi o telefone. Era João um amigo de infância, sempre desesperado e deprimido, ou porque a namorada sai de casa, ou porque volta novamente, enfim uma relação no mínimo estranha. Começo a recear o momento em que ela sai e não volta. Combinámos almoçar juntos para falarmos um pouco… hoje estou disposta a dizer-lhe umas verdades para ver se ele acorda…

 

No trabalho as coisas não correm melhor… Teresa lamenta-se constantemente da quantidade de trabalho que se encontra sob a sua responsabilidade. O chefe sobrecarrega-a por confiar na qualidade do seu desempenho (mania dela, acha-se indispensável) e pronto, tenho que ouvir isto o dia inteiro.

Finalmente a hora do almoço, dirigo-me ao restaurante para me encontrar com o João. Entrei e procurei-o. Reparei que sentadas junto à janela estavam algumas colegas minhas. Hum…estou tramada…vai ser um falatório esta tarde no escritório.

João chegou e sentámo-nos. Pedimos o prato do dia para nos despacharmos rapidamente. Não convinha chegar novamente atrasada. - Então? – perguntei – lhe. João olhou para mim com o rosto completamente desfigurado, calculo que tivesse passado a noite em branco. Como gosto muito do João, senti-me triste por vê-lo sofrer desmedidamente. Perguntei-lhe novamente o que tinha acontecido desta vez, mas resposta nem vê-la… João está completamente bloqueado. Não sei se será o melhor momento para lhe dizer o que sinto em relação à vida conjugal dele e além do mais quem sou eu para fazer julgamentos… ninguém é perfeito… Falámos muito pouco, almoçamos, ou seja, almocei eu, apesar da minha falta de apetite. Despedi-me do João e pedi-lhe para ele telefonar-me à noite. Confesso que fiquei deprimida. Não tenho forma de o ajudar e confesso que me incomoda, afinal somos amigos há muitos anos, somos praticamente irmãos.

 

Meia hora depois…

 

Entro no escritório, atravesso o corredor sentido os olhares atrevidos das minhas colegas. Comentário de uma delas: - Estavas bem acompanhada á hora do almoço! Olhei e mostrei um sorriso meio amarelado, mas ela, como não ficou satisfeita, continuou a sua jornada. - E o carrão dele? Hum…andas bem andas… Sorri-lhe novamente e respondi-lhe melodiosamente (fui um pouco cínica):

- João é meu amigo de infância, fomos criados juntos. Não percebo essa tua conversa.

E nisto, sentei-me e comecei a trabalhar. Percebi que ela fez alguns comentários em voz baixa para outros colegas, mas não liguei e continuei o meu trabalho.

 

Uma hora depois, recebo uma chamada da minha mãe. Hum…agora é que são elas…falou, falou, e eu sempre a tentar dizer-lhe que estava cheia de trabalho e não podia estar ao telefone, mas sem êxito. Por fim lá consegui desligar e escrevinhei rapidamente o nome dos medicamentos que ela me pediu para comprar.

 

Susana, amiga do meu chefe chegou perto da minha secretária e solicitou-me para um trabalho de dactilografia. O modo com o pediu não foi simpático, como sempre! Morre de ciúmes de mim ... sabe-se lá porquê…e faz-me a cabeça em água. Pensa que me dou bem de mais com o chefe e lá estou eu a levar com o mau feitio da criatura.

Após uma pausa para o café, ligo o msn para ver quem está on-line. Talvez alguém agradável para dizer um olá. Ups…assim que o ligo, recebo uma mensagem instantânea:

 

- Jasmin não te ligo mais… passas a vida a moitar com gajos, vou remover-te…

 

Li três vezes para acreditar no que tinha acabado ler… não era a primeira vez , que recebia mensagens desagradáveis por parte do Tom … mas desta vez não percebi…achei que nos tínhamos entendido…começo a pensar, como sempre pensei, que havia algo de anómalo neste rapaz… estou quase, quase a desistir de falar com ele. Poças, cada vez que me escreve mensagens destas, fico magoada …

 

São 6 horas da tarde.

 

Saio a correr para apanhar o transporte público… Chiça… o telemóvel a tocar. É a Margarida novamente, começa a falar sem descanso. Relatou a consulta médica de mamografia, de seguida a de estomatologia e por fim remata com uma dor que lhe está a incomodá-la desde o dia anterior. Despediu-se e desligou. Eu? Nem consegui perguntar-lhe nada, só escutei. Pelo menos ela podia ter-me perguntado se eu estava bem… Margarida a eterna vitima, queixa-se sempre das supostas doenças dela…Nunca ouve … fala, fala, fala…

Quando cheguei a Águas Furtadas, fui à farmácia e comprei os medicamentos da minha mãe. Pouco depois, estava à porta dela para lhos entregar. Aproveitou, de imediato, para se queixar do mau feitio da minha cunhada e das diabruras dos meus sobrinhos e que estava saturada e cansada.

 

 - Está bem mãe, tens de ter paciência … são teus netinhos!

 

Finalmente em casa, despi-me, tomei um duche de imersão. Pensei no Tom, no João, na Margarida, na Susana, nas idiotas das coscuvilheiras que trabalham comigo, enfim, tudo gente boa… mas que influência o meu bem estar.

 

Bem o meu dia nem sempre é assim, tenho dias de luz!

 

Mas não haja dúvida que estou rodeada de pessoas que me toxicam com as suas desgraças, invejas, coscuvilhices, com os sabichões que acham que sabem tudo e são os melhores, as ovelhas negras… e muito poderia eu dizer.

 

Socorro, quero independência! Preciso de me libertar destas toxinas todas! Pessoas negativas, não obrigado! Fazem-me infeliz…

Passo a transcrever uma frase que li e tão certa que ela é:

 

“ Se uma amizade lhe tira mais do que lhe dá, qual é o interesse em mantê-la? Afinal não podemos ser amigas de toda a gente”

 

E não posso esquecer do Rui que não se importa de telefonar ao meio da noite só porque está com insónias e é incapaz de me perguntar: “ Como estás?”…

 

Um dia destes vou arrumar o meu armário e deitar fora o que não interessa…Só vai ficar quem gosta verdadeiramente de mim e pronto a dar quando recebe… carinho e respeito…por mim…

 

Escrito por: Ana Jasmin

 

sinto-me:
Cor: True Colours - Cindy Loper

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